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Financiamento de veículos seminovos crescem no Brasil e aumento nas vendas acendem o alerta para as taxas de juros abusivos

Financiamento de veículos seminovos crescem no Brasil e aumento nas vendas acendem o alerta para as taxas de juros abusivos

Com o mundo voltando, ao poucos às suas atividades, depois de todas as tristezas causadas pelo novo coronavírus, a economia brasileira começa enfim a ensaiar uma recuperação do que, sem dúvida nenhuma, foi a sua pior crise já sofrida. Um novo cenário em que as atividades financeiras parecem estar mesmo retornando aos níveis pré-pandemia. À tirar pelas vendas de veículos usados, que guardam grande parcela deste saldo positivo, mantendo um bom desempenho desde abril deste ano. Parte disso, por conta também da alta demanda dos serviços de delivery, que fez disparar o comércio de motocicletas em todo o país.

As informações foram levantadas através de um estudo sobre o tema, divulgado pela Tecnobank, que analisou o mercado durante todo o primeiro semestre do ano. O relatório, divulgado no início do mês, destaca que a venda de carros usados, que havia caído 80% no Brasil em março, voltou a crescer sem parar desde abril. No segundo trimestre, as vendas de seminovos foram 20% maiores que as registradas no mesmo período de 2019. E, apesar da queda de 10,2% na quantidade de financiamentos, na comparação de julho 2020 com julho de 2019, o uso da modalidade para a compra de veículos usados teve aumento de 25,8% de junho para julho deste ano.

Um crescimento, que segundo Thacísio A. Rio, CEO da Rios Assessoria, empresa especialista na análise de contratos a fim de encontrar valores abusivos, acende a sirene de alerta para o crescimento também das taxas extorsivas, que ainda de acordo com ele estão presente em mais de 80% dos financiamentos tem juros acima da média. Este fato pode levar a inadimplência das parcelas e posterior busca e apreensão do bem financiado, neste caso, o carro da família. “Velha conhecida dos brasileiros, as taxas de juros estão presentes em qualquer transação que envolva crédito, seja para financiamento de veículos, empréstimos bancários ou caso não quite no prazo uma fatura do seu cartão. Na prática, elas representam o lucro que as operadoras de crédito terão, por isso, fazem parte do contrato e são esperadas. Contudo, em alguns casos, estes valores podem estar acima do que deveriam, o pode ser considerado como taxas extorsivas, já que estão acima do previsto pelo Banco Central”, explica.

A preocupação de Thacísio vai de encontro a um outro levantamento feito pela FGV, (Fundação Getúlio Vargas), que indica que hoje, o Brasil ainda se encontra em 6º lugar de cobrança de juros abusivos entre 37 países, perdendo apenas para a Argentina, Turquia, México, Rússia e África do Sul. “A taxa de juros nestes tipos de financiamento costumam ser camufladas pelas instituições financeiras. Algumas, por exemplo, costumam chamar a atenção para os pontos fortes de seu financiamento e acabam ludibriando as pessoas que não conseguem calcular juros abusivos para contratarem seus serviços. Esta é considerada uma prática de má-fé”, alertar o profissional.

E continua: “Para reverter esse cenário o consumidor precisa estar sempre muito atento e não deixar de procurar seus direitos. Realizar análise detalhada com uma empresa séria e renomada no mercado, agir antes que aconteça o pior é o caminho para evitar a perda do veículo para o banco”, indica Thacísio que também afirma que um dos principais fatores para esse tipo de atitude por parte das financeiras, é a falta de conhecimento por parte dos consumidores como um todo. “A maioria tem pouco conhecimento aprofundado dos juros abusivos e caem em muitos ‘disse me disse’ de que por exemplo, não vai dar certo! De que se colocar o banco na justiça nunca mais vai conseguir comprar, entre outras. A população tem conhecimento porém não tem informações coerentes sobre o assunto”, conclui.

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